THE MUBARACK WAY – 20/03/015
plano b - desligar o ar condicionado

Sinopse

Quando o plano B de uma diretoria é desligar o ar condicionado, ela deveria ser demitida. Por que só tomaram medidas austeras agora? Por que não utilizam matriz de risco? Por que não levaram a sério ameaças iminentes e não as monitoraram de forma profissional? Que tipo de executivo deixa sua empresa exposta à própria sorte e tem como resposta “desligar o ar condicionado?”.

Li nos jornais de S. Paulo que montadoras de automóveis no ABC paulista estão em meio a uma crise muito séria, crise que gerou ordens para vigias desligarem a energia elétrica às 20 h, os aparelhos de ar condicionado durante o dia e outras economias do gênero. Embora eu seja francamente a favor de medidas austeras, coloco-me no papel de um conselheiro ou acionista destas empresas e pergunto para o CEO e para os diretores: “Por que vocês não previram a crise anunciada? Por que estas medidas, tomadas em caráter de EMERGÊNCIA já não fazem parte da nossa rotina? Qual era o plano B em caso de crise? O plano B era desligar o ar condicionado?”.

Sim, o plano B em muitas empresas é “desligar o ar condicionado”, tal o despreparo em gestão que a maioria dos brasileiros (e alguns estrangeiros) possui. Quem disse que o executivo brasileiro é igual ou melhor do que executivos americanos ou europeus não sabia realmente o que estava dizendo. Salvo exceções, somos um país de lideranças muito fracas, tecnicamente e em atitudes. Quando falo durante meu trabalho nas empresas em ANÁLISE DE CENÁRIOS, MATRIZ DE RISCOS e ANÁLISE DE FALHAS, gente com MBA na FGV ou no INSPER, com diversos cursos na Dom Cabral e até mesmo no exterior arregala os olhos como se estivesse vendo o capeta. Ou, atitude mais comum, simplesmente dá de ombros e despreza ferramentas seculares, utilizadas por gente muito mais inteligente no mundo inteiro. O que você sentiria se entregasse sua empresa para um cara tomar conta e na primeira crise o sujeito dissesse que o caixa está ruim e que o plano B é desligar o ar condicionado? Não sei você, mas eu daria um chute na bunda deste incompetente.

Resumo da ópera: presidentes e diretores, incluindo conselhos de administração, precisam ter plano B, precisam preparar o caixa para as crises, precisam ser austeros na época de vacas gordas (até mesmo porque ser austero em época de vagas magras qualquer idiota consegue) e precisam ser sérios na elaboração dos tais PLANO B.

Não entendo como um executivo não tem vergonha quando seu desempenho é tão ruim. Quando não há caixa nem plano B, o que resta é DESESPERO, mutirões e muita confusão.

Paulo Ricardo Mubarack       

Baixe o artigo em PDF