o único problema é gente

Sinopse

Após tantos anos de consultoria, vem a conclusão definitiva: o único problema das empresas é gente! Se a empresa tem problemas com vendas, com desenvolvimento de produtos, com logística, com a inspeção de recebimento, com a produção, com o atendimento ao cliente etc, todas estas questões têm uma única causa: gente. Gente boa conduz ao sucesso, gente ruim conduz ao fracasso. Já presenciei muitos casos onde a simples troca de um gerente por outro resolveu TODOS os problemas de uma área!!!

Você pode estar se perguntando: “...Mubarack, qual é a novidade?”. Realmente, parece não haver novidade alguma nesta conclusão. Mas muitas empresas continuam agindo como se desconhecessem a importância da gestão de pessoas.
Quase todas as empresas têm diretor financeiro, diretor comercial, diretor de unidade de negócios, mas muito poucas têm o diretor de RH. Por que a diferença? Porque a maioria das empresas, quando são pequenas, não entendem e não valorizam a gestão das pessoas. E a cultura organizacional forma-se sem a cultura do RH forte.
Quando estas empresas crescem, o RH sempre continua menor.

Outro motivo da prática ainda deficiente da gestão de pessoas é a desqualificação de alguns profissionais de RH, muito preocupados com festas, com o tal do endomarketing (esta palavra me provoca calafrios), com a “terapia do abraço”, com a assistência social, com o velho departamento de pessoal e pouco preocupados com o negócio e com a eficiência dos recursos humanos.
Quando há uma festa na empresa, porque a organização é do departamento de RH? O que tem RH a ver com festas? Na prática, nada!!! Enquanto os profissionais desta área ficam organizando eventos, os conflitos internos, a falta de produtividade, a ineficiência de executivos vão minando a resistência da empresa.

Tenho visto em muitas pessoas atitudes absurdas no trabalho. Onde está RH que não monitora e corrige estes desajustes? Algumas empresas gigantes, como a GE e a Wal-Mart têm experiências bem-sucedidas em RH com profissionais de outras áreas, que nunca pensaram em dirigir o setor de recursos humanos. Alguns processos, como avaliação de desempenho, remuneração variável e treinamento ainda são muito mal resolvidos em muitas organizações.

RH deve ensinar a todos na empresa os princípios básicos do capitalismo. As leis de mercado devem prevalecer internamente nas empresas. Nós, brasileiros, temos uma deficiência familiar de capitalismo. Lidamos muito mal com o dinheiro e aprendemos esta disfunção nas famílias, nas escolas e na sociedade. Como um ambiente deste nível pode gerar bons gerentes, bons diretores, bons supervisores? Em nosso meio, tais são as nossas deficiências culturais, o trabalho da gestão de pessoas deve ser redobrado. É claro que a gestão de pessoal também é das áreas e não apenas do setor de recursos humanos, mas os gestores não estão preparados para isto. RH deve prepará-los, isto é, desenvolvê-los gerencialmente. Pergunte quantas empresas têm programas de desenvolvimento gerencial e você vai entender claramente o que escrevo: talvez uma empresa em cada 1000.

Um dia destes, visitei uma empresa que estava pensando em desenvolver um complexo sistema de avaliação de pessoas. Pediram-me para ajudá-los. Perguntei qual era o problema. Um diretor disse: “...alguns operadores reclamam que gente mais nova do que eles na empresa recebe o mesmo salário. Queremos fazer justiça, Mubarack”. E eu respondi com duas afirmações: 1o) Uma empresa não nasceu para fazer justiça. Nasceu para dar lucro. Se um cara de 19 anos trabalha melhor do que um veterano de 50, deve receber mais do que ele por uma questão de resultados e não de justiça.
Dane-se a “justiça”. Tempo de casa não gera resultados. Esqueça esta bobagem. 2o) Você está com um problema de supervisão. A supervisão deve explicar as leis do mercado para os operadores. Se alguém produz mais, vai ganhar mais. Tempo de casa serve apenas para o serviço público desqualificado e não para empresas modernas. Se você insistir em valorizar o tempo de casa, você seria o cara que nunca escalaria o Pelé com 17 anos na Copa de 1958. Você seria um perdedor.

Por favor, organize ou reorganize cuidadosamente seu departamento de RH. Defina claramente para a gestão de RH um perfil que nada tem a ver com simpatia ou “que goste de pessoas”. Defina um perfil vinculado a visão de negócios. Defina um perfil cobrador. Defina um perfil que se preocupe com os resultados e com a eficácia humana no trabalho.
Alguém ainda vai me perguntar: “...mas e o lado humano, Mubarack? E a felicidade das pessoas?”. A felicidade das empresas e de suas pessoas está no LUCRO. Empresas felizes são empresas que têm dinheiro. O resto é demagogia barata, gente!!! E empresas que têm dinheiro remuneram melhor as suas pessoas e proporcionam mais treinamento para elas. E aí elas ficam felizes. Viram como dinheiro traz a felicidade?

Um abraço e muito dinheiro a todos!!!


Paulo Ricardo Mubarack
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