THE MUBARACK WAY – 14 DE JULHO DE 2017
A QUESTÃO DA BOLHA DOS HOTÉIS – COMO EVITAR A CATÁSTROFE DE UM MAU INVESTIMENTO?

Sinopse

Entenda por que péssimos investimentos são aprovados por pessoas inteligentes e bem-intencionadas e como uma companhia pode se proteger destas catástrofes. Há nove razões que conduzem boas empresas para maus investimentos e elas podem estar bem ao seu lado neste momento.

Atraídos pela Copa do Mundo e pelas Olímpiadas do Rio de Janeiro, milhares de investidores financiaram a construção de algumas centenas de hotéis no Brasil. Obras da Petrobrás, o pré-sal e as promessas de aumento no fluxo turístico como legado dos eventos esportivos e do crescimento da economia criaram expectativas de bons lucros no setor hoteleiro.

Quando a crise mais severa da história brasileira iniciou em 2015, as consequências vieram rapidamente: empreendimentos cancelados, hotéis fechados e taxas de ocupação desabando. Como parece que “tragédia pouca é bobagem”, plataformas como a Airbnb acirraram a concorrência e forçaram os preços das hospedagens para baixo.

Investimentos malsucedidos podem destruir os lucros e o caixa acumulados com muito suor durante anos, por isto a decisão sobre onde, quanto, quando e como investir é normalmente crítica para qualquer empresa.

A pergunta é: como uma empresa pode se proteger do terrível erro do mau investimento? Há algumas formas muito simples e para entendê-las, é importante identificar claramente se há um padrão nas decisões equivocadas, uma falha comum à maior parte dos fracassos.

Em meu laboratório, pesquisei aproximadamente quatrocentas decisões erradas. Nesta amostra, estão empresas de vários portes e segmentos no Brasil, Chile, Estados Unidos, Alemanha, Suécia, Japão, Reino Unido, Islândia, México, Canadá e Emirados Árabes. O padrão identificado para o investimento fracassado é:

  • 1. Estudos extremamente superficiais de mercado, sem auxílio de consultorias;
  • 2. Euforia decorrente de um prolongado período de bons resultados;
  • 3. Acionistas e membro do Conselho de Administração com pouquíssimo conhecimento do negócio;
  • 4. Premissas completamente erradas;
  • 5. Inexistência de profunda análise de riscos;
  • 6. Medo de contestar o presidente;
  • 7. O especialista, perante uma demanda muito forte vinda de superiores hierárquicos ou da massa, não sabe traduzir pedagogicamente o problema e joga a toalha, diante do risco pessoal que sua possível oposição representa.
  • 8. Um levantamento feito durante 10 anos nos EUA em relação às previsões dos economistas e profissionais do marketing mostrou um índice de acerto de 45 %. Isto equivale a jogar cara ou coroa. Jogando a moeda para o alto, você teria mais ou menos o mesmo resultado. Por isto, ao planejar qualquer investimento, faça esta pergunta: “Se tudo der errado, a empresa aguenta o golpe”? Se a resposta for NÃO, cancele ou adie o investimento. Normalmente, esta conta não é feita nem analisada com a frieza necessária.
  • 9. O investimento desperta tanto entusiasmo no presidente ou em algum executivo muito poderoso que ninguém simplesmente quer estragar a festa, embora vendo nitidamente que o risco é intolerável.

Conclusão:

O caso da bolha dos hotéis pode conter quase todos os elementos descritos, mas acredito que tenha um em particular: o número 4 – premissas completamente erradas. Muitos clientes me perguntam como avaliar a qualidade de um planejamento. Bem, eu sempre começo analisando a qualidade das premissas. Neste caso, premissas são as condições assumidas como certas pelos planejadores. Examino com muito cuidado quais são os dados e as fontes de consulta utilizados. É impressionante que uma parcela enorme destas premissas não tenha qualquer fundamento sólido o suficiente para justificá-la como ponto de partida para um investimento importante. É igualmente impressionante que pessoas com boa formação acadêmica e muita experiência nos negócios, dispondo de pleno uso de suas faculdades mentais, justifiquem suas premissas com base em superstições como “As Olimpíadas sempre deixam um legado”, “A situação não pode mais piorar”, “O dono da empresa é um visionário”, “Fulano sabe o que está fazendo”, “O mercado vai ter que reagir”, “Todos estão investindo”, “Sempre deu certo” e outros pensamentos mágicos.

Frequentemente, o único material que encontro para fundamentar uma premissa é um punhado de frases escritas em uma apresentação de Power Point.

Paulo Ricardo Mubarack

CEO da Mubarack Consulting e da PSV Real Estate, é engenheiro eletrônico graduado pela UFRGS e MBA em management pelo Boston College/Laureate - USA. Já prestou consultoria e ministrou treinamento em desenvolvimento gerencial para mais de 160 empresas no Brasil e no exterior. É Angel Investor, membro de Conselhos de Administração e autor do Livro Empresas Nuas.

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